Lucro Real ou Lucro Presumido: como decidir sem chutar
A escolha de regime é a decisão tributária de maior impacto no ano, e a mais tomada por hábito. Este guia mostra o que realmente muda entre Lucro Real e Presumido e como fazer a conta antes de decidir.
A cada virada de ano, milhares de empresas brasileiras renovam a opção pelo regime tributário sem refazer uma única conta. O regime que foi escolhido na abertura permanece, e com ele, muitas vezes, uma carga tributária que já não corresponde à operação atual.
A opção pelo regime é anual e, em regra, se consolida com o primeiro recolhimento do exercício. Ou seja: a janela de decisão é o último trimestre do ano anterior. Depois disso, a empresa carrega a escolha por doze meses.
A diferença essencial entre os dois regimes
No Lucro Presumido, o fisco presume a margem de lucro da sua atividade e aplica IRPJ e CSLL sobre esse percentual do faturamento, independentemente do que você lucrou de verdade. PIS e COFINS são cumulativos, com alíquotas menores e sem direito a crédito.
No Lucro Real, os tributos incidem sobre o lucro efetivamente apurado na contabilidade, após ajustes fiscais. PIS e COFINS passam a ser não cumulativos: alíquotas maiores, mas com direito a crédito sobre insumos.
Quando cada um costuma vencer
| Situação | Regime que tende a vencer |
|---|---|
| Margem real acima da presunção legal | Lucro Presumido |
| Margem real abaixo da presunção ou prejuízo | Lucro Real |
| Volume alto de insumos e serviços tomados | Lucro Real (crédito de PIS/COFINS) |
| Serviço com folha baixa e poucos insumos | Lucro Presumido |
| Exportação relevante | Lucro Real, em geral |
| Prejuízos acumulados a compensar | Lucro Real |
Essa tabela orienta, mas não decide. A decisão exige simulação com os seus números, faturamento por atividade, composição de custos, folha e créditos possíveis.
Os três erros mais caros que vemos
1. Comparar apenas IRPJ e CSLL
A conta precisa incluir PIS, COFINS e, quando aplicável, a contribuição previdenciária sobre a receita bruta. Empresas com muitos insumos frequentemente descobrem que o crédito de PIS/COFINS no Lucro Real supera com folga a diferença de IRPJ.
2. Ignorar a margem real
A presunção do Lucro Presumido é fixa. Se a sua margem caiu, e nos últimos anos ela caiu em muitos setores, você pode estar pagando imposto sobre um lucro que não existe.
3. Decidir sem contabilidade confiável
O Lucro Real exige escrituração completa e correta. Empresa sem controle de estoque, sem conciliação e sem custo apurado não consegue sustentar o regime, e o que era economia vira risco.
Regime tributário não é preferência. É cálculo. E cálculo exige dado confiável antes de exigir opinião.
Como fazer a análise na prática
- Levante 12 meses de faturamento segregado por atividade e por CNAE.
- Apure a margem real do período, com custo e despesa efetivos.
- Mapeie os insumos e serviços que gerariam crédito na não cumulatividade.
- Simule os três regimes possíveis, incluindo o Simples quando o limite permitir.
- Projete o cenário do próximo exercício, não o do passado, a decisão é sobre o futuro.
- Considere o custo de conformidade: o Lucro Real exige mais estrutura contábil.
E se a conta apontar mudança?
Mudar de regime exige preparo: ajuste de estoques, revisão de cadastro de produtos, parametrização do ERP e, no caso do Lucro Real, um nível de escrituração que a empresa talvez ainda não tenha. Por isso o estudo precisa ser feito com meses de antecedência, não em dezembro.
Na Ciatos, a simulação de regime faz parte do planejamento tributário e é revista todo ano, mesmo para quem já é cliente. Se a sua ainda não foi refeita, vale conversar antes da virada.
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Mudança de legislação, oportunidade de crédito e prazo que não pode passar, explicado para empresário, não para contador.
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